24.4.06

Pesquisa Ação Social das Empresas entra na reta final

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) voltou a campo para analisar o envolvimento do empresariado brasileiro com a questão social e enfrenta, agora, um momento decisivo. Para que sejam divulgados os resultados da segunda edição da Pesquisa Ação Social das Empresas para cada um dos estados do Norte, é preciso que o Instituto receba um número mínimo de questionários preenchidos. A participação das empresas do Norte, no entanto, ainda está bastante baixa, o que traz o risco de que, pela primeira vez desde 2000, a região não entre na tabulação dos dados e na divulgação dos resultados.

O Instituto também não poderá divulgar o resultado nacional e deixará de avaliar o importante papel das empresas em programas de combate à fome e à miséria. Com a conclusão da Pesquisa, o Ipea iria divulgar, em junho de 2006, os resultados nacionais e identificar as possíveis mudanças no envolvimento das empresas em ações sociais, entre 1998 e 2004. Os resultados relativos à primeira edição, lançada em 2002, revelaram que 59% das empresas realizavam, voluntariamente, algum tipo de ação em benefício da comunidade.

Para reverter o quadro, o Ipea está mobilizando entidades para que elas ajudem a sensibilizar os empresários que receberam os questionários. Cerca de duas mil empresas do Norte, de todos os portes e setores econômicos, foram selecionadas para compor a amostra. Para elas, foi enviado um questionário que aprofunda a investigação sobre sua ação social voltada para comunidades.

As empresas podem responder a pesquisa pelo questionário impresso e remetê-lo ao Ipea. Ou, ainda, por meio do site, www.ipea.gov.br/asocial. Os empresários que estiverem com dúvidas podem telefonar gratuitamente para o número 0800-642-5005 ou enviar e-mail para asocial@ipea.gov.br.

Importância do Levantamento
A Pesquisa Ação Social das Empresas fornece dados que são úteis ao governo, às empresas e à sociedade em geral. Ao governo, porque passa a dispor de informações que lhe permitem assumir um papel pró-ativo na condução de uma política de desenvolvimento social que exige, cada vez mais, o estabelecimento de parcerias com o setor privado. Às empresas, porque podem identificar caminhos que aperfeiçoem as ações realizadas. E a ampla divulgação dos dados fornece à sociedade subsídios para o debate público sobre o papel do setor empresarial no campo social.

Inscrições abertas para melhor balanço social

A quinta edição do Prêmio Balanço Social, que destaca os melhores balanços sociais publicados pelas empresas, está com as inscrições abertas até o dia 20 de julho. Empresas de diferentes portes e regiões do País podem se inscrever, desde que prestem informações detalhadas sobre seu investimento social. O regulamento está no site www.premiobalancosocial.org.br. No ano passado, Natura e CPFL Energia foram as vencedoras.

Petrobras fará seleção de projeto social que irá financiar

A Petrobras lançou no dia 19 na Baixada Santista o programa de seleção, para financiamento, de projetos sociais e ambientais propostos por organizações não-governamentais na região, seguindo os mesmos objetivos do Programa Fome Zero. Conduzida em Cubatão a partir da Refinaria Presidente Bernardes-Cubatão (RPBC) e conhecida como Projeto Remar 2006, a proposta tem como critério a política de responsabilidade social da Petrobras.

O lançamento se realizou depois das 10 horas, na refinaria, quando os responsáveis pelos oito projetos que já conquistaram patrocínio do Programa fizeram um relato de suas ações.

O material de divulgação do programa (folder explicativo e cd-rom com o regulamento, modo de elaborar os projetos) está disponível nas secretarias de ação social e de meio ambiente das cidades de Santos, Guarujá, Cubatão, Praia Grande e São Vicente, além do Ciesp-Cubatão e portaria principal da refinaria (Praça Marechal Stênio Caio de Albuquerque Lima, nº 1).

Propostas

Este ano, as propostas que buscarem o patrocínio da empresa devem focar a garantia dos direitos da criança e do adolescente, geração de emprego e renda, educação, qualificação profissional e preservação ambiental. Serão disponibilizados R$ 250 mil para os projetos selecionados, cujas ações serão alinhadas ao Programa Petrobras Fome Zero.

Os finalistas aprovados pela Comissão de Seleção que não receberem patrocínio em razão do limite de recursos serão encaminhados para a avaliação da Coordenadoria Regional de Comunicação São Paulo — Sul.

Conferência debate o combate à fome

Assuntos ligados ao desenvolvimento dos agronegócios serão debatidos durante a Conferência dos Países-Membros da União Mundial de Mercados Atacadistas (World Union of Wholesale Markets/WUWM), que será realizada de 25 a 28, em São Paulo (SP). O evento é organizado pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) e pela Associação Brasileira de Centrais de Abastecimento (Abracen). São esperadas cerca de 70 delegações, vindas de 30 países. Um dos objetivos da conferência é propor uma efetiva participação da WUWM nos fóruns mundiais que tratam as questões de combate à fome e à exclusão social. Site: www.wmconference.com.

18.4.06

A iniciativa possui recursos da ordem de R$ 600 mil

Associações, cooperativas sociais, empreendimentos e organizações solidárias populares ou comunitárias da Bahia que desejam apresentar propostas de caráter inovador voltadas para o combate à pobreza, desigualdades sociais e para o desenvolvimento socioeconômico das comunidades locais podem participar do II Edital Empreendedor Social - 001/2006, que está disponível no Portal da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).

A iniciativa possui recursos da ordem de R$ 600 mil, sendo que poderão ser pleiteados valores de até R$ 40 mil, distribuídos entre os itens financiáveis constantes no Edital.As propostas devem ser apresentadas por uma única associação proponente, sediada na Bahia, sempre em parceria com instituições do conhecimento, centros tecnológicos ou empresas.

Para receber o financiamento é necessário que a instituição proponente se encaixe em perfis como Enquadramento, Seleção e Classificação das Propostas, Realização de Cursos de Empreendedorismo na Comunidade, Elaboração de Plano de Negócio, Financiamento e Implantação da proposta e Acompanhamento.

Os representantes das instituições interessadas em participar do edital podem obter informações através do site http://www.fapesb.ba.gov.br/curso_emp2006, ou pelo endereço eletrônico rede.emp@fapesb.ba.gov.br ou pela Central de Atendimento ao Pesquisador (CAP), nos fones (71) 3116-7680 e (71) 3116-7681.
(Assessoria de comunicação da Fapesb)

R$ 90 mil

R$ 90 mil é quanto a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e a Fundação Avina têm em caixa para financiar programas de geração de renda e capacitação profissional. As ONGs fluminenses interessadas em obter parte dos recursos devem se inscrever no site www.firjan.org.br.

17.4.06

Trabalho voluntário valoriza currículo

Desde que a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu 2001 como o Ano Internacional do Voluntariado, o trabalho voluntário tem despertado a atenção de empresas, consumidores e mais recentemente de profissionais, no que se refere à responsabilidade social.

O consultor de treinamento e desenvolvimento do grupo de recursos humanos Empresa, Eduardo Corceli, avalia que é cada vez maior a quantidade de consumidores que, no momento da compra, considera importante o fato do fabricante de determinado produto participar de trabalhos sociais.

De acordo com a revista Distribuição (O lucro da ação social), pesquisas realizadas pelo Instituto Ethos e pelo jornal Valor Econômico mostram que 22% dos consumidores já puniram ou privilegiaram empresas em razão da sua responsabilidade social. Mas o trabalho voluntário passou a ser fator relevante, também, no currículo dos profissionais que buscam oportunidades no mercado de trabalho.

Eduardo acredita que a importância do voluntariado já é forte nos currículos de profissionais que vivem nos grandes centros, mas que para o mercado goiano ainda é uma tendência. “Os empresários ainda não avaliam esse quesito, mas como a responsabilidade social tem cada vez um peso maior nos resultados das empresas, em breve espaço de tempo a atuação nesse campo dos candidatos a empregados deverá ser levada em conta”, analisa.

Conforme a entrevista da vice-presidente do Grupo Catho, Adriana Gomes, divulgada no site da empresa, a importância dada ao trabalho voluntário realizado por um candidato a emprego varia de acordo com a cultura da empresa, ou seja, empresas que consideram esses valores avaliarão este item positivamente.

Jovens são estimulados à prática voluntária

Carol Rodrigues
Incentivar a participação dos jovens em programas sociais e estimular a prática de atividades voluntárias é o que a Prefeitura do Recife pretende alcançar com a Semana Global do Voluntariado Jovem, que começa hoje à tarde e vai até quinta-feira. Para abrir a programação será realizado, às 14h30, um mutirão de limpeza no Jardim Botânico. Ainda entre as atividades, palestras sobre Segurança Cidadã, enfocando várias temáticas; oficinas culturais e competições esportivas. Esta é a segunda edição da semana, que já é comemorada há quatro anos em mais de 100 países.

As atividades serão promovidas por cerca de 100 jovens de programas sociais da PCR, como o Agente Jovem e o Esporte e Lazer; estudantes de escolas municipais; e voluntários cadastrados. “Queremos incentivar o protagonismo juvenil e fazer os jovens atuarem para mudar a realidade social onde vivem”, ressalta a diretoria de Voluntariado da Secretaria de Direitos Humanos e Segurança Cidadã da PCR, Gabriela Cordeiro. Em 2005, a semana envolveu 300 jovens durante dois dias. Atualmente, são dois mil os voluntários cadastrados, dos quais cerca de 200 a 300 são jovens.

“Os jovens ainda não despertaram para a atividade do voluntariado. Por isso, queremos atender ao maior número possível e recrutá-los e fazer com que eles desenvolvam atividades que melhorem suas comunidades”, resume a diretora. As palestras e discussões - sobre temas como emprego e renda; esporte, lazer e espaço livre; violência contra a criança e adolescente - serão promovidas amanhã e quarta-feira. No encerramento, quinta-feira, estão programadas oficinas de dança popular, grafitagem, capoeira, entre outras, no Cais da Aurora. No mesmo local acontecem competições de skate e streetball, dança popular e apresentação de bandas locais.

População da Grande Vitória prefere doar dinheiro a se envolver com voluntariado

População da Grande Vitória prefere doar dinheiro a se envolver com voluntariado

Segundo a Pesquisa Futura/CBN sobre voluntariado, feita nos dias 16 e 17 de março com 404 moradores de Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra, 51,24% dos entrevistados realizam algum tipo de filantropia (ou seja, doação de recursos). Porém apenas 12,87% deles participam, efetivamente, de algum trabalho voluntário que exija envolvimento pessoal.

'A diferença de 43% entre filantrópicos e voluntários é preocupante. Podemos considerar que, dessa forma, na cabeça da população, ajudar instituições beneficentes com recursos financeiros é suficiente para cumprir a sua contribuição em questões sociais', analisa o economista Anselmo Hudson, técnico do Instituto Futura.

Entre os que não desenvolvem algum tipo de trabalho voluntário, a falta de tempo foi o motivo mais citado, com 55,43% dos entrevistados. Mesmo assim, o número de pessoas que fazem doações aumentou em relação aos último anos. Em 2005, por exemplo, 43,67% dos entrevistados faziam filantropia.

Curso busca combater a exclusão social em sala de aula

Em busca de acabar com a exclusão social no âmbito escolar, a assessora pedagógica do município de Pontes e Lacerda (a 483 Km de Cuiabá), Rosa Maria Nunes Pereira e a professora Clair Lucato, decidiram oferecer uma formação continuada, com o objetivo de melhorar a inclusão social, por meio da educação. O projeto, que se chama “Educar na Adversidade”, teve início no dia 06 deste mês e terminou nesta quarta-feira (12).

Rosa explica que, ao todo, 130 professores das redes estadual e municipal de educação participam da formação. Conforme ela, durante o curso, os participantes foram levados a refletir sobre quais são as práticas de exclusão social que acontecem no âmbito escolar e quais são as atitudes pedagógicas que devem ser adotadas em sala de aula pelos professores para combater qualquer tipo de discriminação, seja ela pedagógica, social ou étnico-racial.

“Estive, juntamente com a Clair em agosto do ano passado em Brasília participando de um curso de Inclusão Social oferecido pelo Ministério da Educação (MEC). Agora, estamos compartilhando o conhecimento adquirido durante esta formação com os docentes que trabalham em nosso município. Eles, por sua vez, irão compartilhar esses ensinamentos com os alunos. Acabar com a exclusão social é uma obrigação de toda a sociedade”, ressaltou Rosa.

A assessora pedagógica destacou ainda, que a iniciativa beneficiará indiretamente mais de 11 mil alunos. “Os professores já estão colocando em prática todos os aspectos refletidos durante o curso e os resultados têm sido positivos”.

É o caso da professora de Língua Portuguesa da Escola Estadual Vale do Guaporé, Maria do Carmo Quintino, que participa da formação. Ela conta que já iniciou o trabalho de inclusão social em sala de aula, por meio de leituras de textos e relatos de histórias que abordam a discriminação.

“Em uma das turmas que leciono há um caso de um aluno que é especial e ainda trabalha como engraxate e ele era discriminado pelos colegas. Consegui reverter esta situação, levando-os a repensar essa atitude”, finalizou. (Andréa Martins/Seduc-MT)

Empresários apóiam projetos sociais de suporte às minorias

A inclusão dos grupos considerados minorias — compostos por afrodescendentes, descendentes de índios, portadores de deficiência e mulheres, entre outros — ganham cada vez mais espaço nas políticas de responsabilidade social das principais organizações não-governamentais (ONGs) do País e das grandes empresas da iniciativa privada. É o que mostra a quarta rodada de pesquisa DCI com 18 dirigentes de entidades ligadas ao Terceiro Setor.
De acordo com os administradores das entidades entrevistadas, as organizações Nestlé , Unilever , Unimed e Natura estão entre as principais parceiras dos seus projetos sociais.

A ONG Sorri-Brasil , de Barueri, na Grande São Paulo, é um exemplo de entidade sem fins lucrativos que trabalha em conjunto com empresas privadas. Uma das facetas do projeto da instituição é capacitar gestores de recursos humanos para que eles aprendam a selecionar e contratar deficientes para trabalhar nas empresas parceiras da entidade. Grandes empresas atuantes no País, como a brasileira Natura, estão entre as envolvidas nessas parcerias.

“Nossa entidade atua no desenvolvimento de projetos sociais que visam a promoção do trabalho e do emprego das pessoas portadoras de deficiência. O trabalho é feito por meio de cursos que desenvolvemos para a capacitação de diretores de recursos humanos das empresas parceiras”, explica Carmen Leite Ribeiro Bueno, superintendente da Sorri-Brasil.

Através dessa capacitação de gestores de recursos humanos, a entidade consegue se manter e promover outros projetos para portadores de deficiência.

Bolsa de estudo
Outra entidade que trabalha no intuito de inserir as minorias no mercado de trabalho é a Associação Horizonte . A entidade oferece cursos de capacitação para jovens com até 17 anos. De acordo com a entidade, a Unimed é a empresa parceira do seu trabalho chamado “Projeto Horizontes”.

Segundo o professor e presidente da entidade, Gualtiero Piccoli, a empresa parceira doa cerca de R$ 4 mil a cada semestre para manter no curso um grupo de 20 mulheres da comunidade local.

“As mulheres que recebem nossa assistência têm aulas de comunicação, desenvolvimento pessoal, ética, cidadania, técnicas de venda e de atendimento ao cliente. Todas as participantes são cadastradas no banco de dados da empresa a que os médicos da Unimed têm acesso e podem contratá-las quando estiverem precisando de uma secretária, por exemplo”, afirma Piccoli.

Além da Unimed, a Associação Horizonte conta com o apoio da Universidade Anhembi Morumbi e do Ibmec São Paulo no projeto “Educação Superior In Company”. Esse é um programa de educação inclusiva e funciona através de uma bolsa de estudos para os deficientes.

Com esse acordo entre as universidades e a entidade, os estudantes pagam apenas R$ 200 pelos cursos. Se eles se saírem bem nos estudos e não tiverem faltas, o valor da mensalidade do curso pode custar menos, até R$ 50. “Essa é uma chance que os portadores de deficiência têm para mostrar seu valor e adquirir responsabilidades”, diz.

Direitos
Enquanto algumas ONGs se esforçam para profissionalizar, educar e inserir as pessoas pertencentes aos grupos minoritários, o Centro de Direitos Humanos de Palmas (Cdhp) atua em prol do reconhecimento dos direitos do cidadão. Ou seja, oferece uma assessoria jurídica gratuita às pessoas da comunidade local.

O orçamento de R$ 70 mil anuais da entidade é proveniente do apoio de agências internacionais como a Organização Católica Alemã (Miserium), a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) e a Cáritas Brasileira , rede da Igreja Católica militante em questões sociais.

De acordo com Romeu Aloisio Feix, secretário-articulador da ONG, as verbas provenientes da iniciativa privada são poucas diante das problemáticas sociais que a entidade trata. “Precisamos de financiamento para a contratação de pessoas. É difícil encontrar voluntários. É necessário que a iniciativa privada financie os projetos do Centro-Oeste, pois os recursos das empresas acabam sendo mais direcionados para regiões do nordeste e do sul”, opina.
Apoio à mulher

As mulheres que sofrem com a violência doméstica, segundo especialistas, estão incluídas nas minorias. Diante dessa realidade, o Grupo Mulher Maravilha , localizado em Recife, tem atuado fortemente para amenizar a questão. O trabalho da instituição consiste em capacitar as mulheres das comunidades locais para que elas se tornem líderes sociais (promotoras legais) a fim de que repassem a outras mulheres os conhecimentos sobre os seus direitos.
Um exemplo de atuação do Grupo Mulher Maravilha é o trabalho realizado com as mulheres ligadas a comunidades quilombolas que trabalham no campo. Nesse projeto a ONG recebe o apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), órgão do governo federal. O ministério envia cerca de R$ 60 mil ao ano à entidade para o desenvolvimento de projetos de capacitação de mulheres jovens.

A sócia fundadora do grupo, Maria de Lourdes Luna, observa que a violência contra a mulher vem aumentando em Recife, região onde a entidade atua. “De janeiro até agora, segundo estimativa da polícia militar de Recife, 100 mulheres morreram devido à violência doméstica. Estamos trabalhando para que esses números se reduzam. Nosso objetivo também é beneficiar um número cada vez maior de mulheres”, enfatiza. Com base nos dados levantados pela Pesquisa DCI, as empresas privadas têm prestado um indispensável apoio para que as ONGs consigam promover e divulgar os seus trabalhos em prol do desenvolvimento comunitário local. As entidades do chamado Terceiro Setor, muitas vezes, dependem dos recursos da iniciativa privada, sejam eles financeiros ou referentes a mão-de-obra (voluntária) para que seus projetos sejam mantidos e tenham continuidade.

12.4.06

Fundação BankBoston comemora sete anos

Em comemoração aos seus sete anos de existência, a Fundação BankBoston realiza no dia 19 de abril, às 18h30, em São Paulo, a oitava edição da série Elos Sociais com o tema Terceiro Setor: Análise e Perspectivas. A palestra será feita pela professora Rosa Maria Fischer, coordenadora do Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor (Ceats). Em seguida, duas entidades apresentam suas experiências: o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), representado por Fernando Rossetti, e a ONG Doutores da Alegria, com Wellington Nogueira. Sonia Favaretto, superintendente da Fundação BankBoston, é a mediadora.

Elos Sociais

Elos Sociais é uma série de encontros com o objetivo de estimular o diálogo e colaborar para a disseminação de conceitos do Terceiro Setor. Além de divulgar sistematizações de iniciativas da Fundação BankBoston, os encontros são baseados em experiências nacionais e internacionais de casos concretos, visando a ampliação e qualificação do debate. Após o debate, haverá coquetel e lançamento da publicação "Elos Sociais em síntese: 2004-2005", uma sistematização das edições anteriores da série.

Série Elos Sociais - Terceiro Setor: Análise e Perspectivas
Data: 19 de abril, às 18h30
Palestrante: Rosa Maria Fischer (Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor - Ceats)
Apresentação de experiências: Fernando Rossetti (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas - Gife) e Wellington Nogueira (Doutores da Alegria)
Mediador: Sonia Favaretto (Fundação BankBoston)
Local: Auditório do Edifício BankBoston - Avenida Chucri Zaidan, 246 (térreo) - Vila Cordeiro - São Paulo RSVP: (11) 3398-4181 ou fundacaobkb@bkb.com.br

11.4.06

Educador prega adoção da economia solidária

De acordo com o educador Moacir Gadotti, do Instituto Paulo Freire, o difícil num mundo capitalista como o nosso é fazer um consumo responsável. 'Vivemos num mundo onde um monte morre de tanto comer outros por falta de comida. As crianças são as maiores vítimas desse consumismo irresponsável, por isso a educação ambiental é importante. Mas não apenas para crianças e sim em todas as idades. Somos todos aprendizes', afirmou Gadotti.
Para ele, o capitalismo é insustentável e é o fomento da pobreza, da miséria e da violência. 'Isso é provocado pelo nosso modo de vida. O capitalismo nasceu com uma visão social, para tirar da monarquia e do clero a riqueza. Mas podemos voltar ao seu conceito original. A economia solidária, por exemplo, que é possível uma outra economia', declarou o educador.

E a economia solidária já dá frutos no Brasil, que temos um Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES) bem estruturado com participação de todos os Estado. Esta nova prática de produção e consumo privilegia o trabalho coletivo, a autogestão, a justiça social, o cuidado com o meio ambiente e a responsabilidade com as gerações futuras. Em linhas gerais, os princípios da economia solidária estão fundamentados na valorização social do trabalho humano, na satisfação plena das necessidades de todos como eixo da criatividade tecnológicas e da atividade econômica e no reconhecimento do lugar fundamental da mulher e do feminino numa economia fundada na solidariedade, entre outros.

Mostra divulga ações sociais

Empresas de todo o país participarão do RS - Mostra de Iniciativa Social, que ocorrerá entre 21 e 30 de abril, no Shopping Iguatemi, em Porto Alegre. O evento, idealizado pela empresária Luiza Pilau, reunirá várias iniciativas relacionadas ao tema da responsabilidade social, inclusive do Terceiro Setor. "A mostra pretende ser um "movimento" no sentido de encorajar o público ao consumo consciente", destacou a empresária.

A mostra, com entrada franca, ainda permitirá assistir a palestras de especialistas, espetáculos de teatro e música. No setor das ONGs, haverá produtos à venda e inscrição de voluntários. Informações: fone (51) 3222-0183 e no site www.mostrars.com.br.

Ação social atrai investidor

A responsabilidade social está cada vez mais na moda no mercado financeiro. Além de a Bolsa de Valores de São Paulo ter criado um novo índice com ações de empresas preocupadas com o tema, grandes instituições financeiras têm lançado fundos afins. O primeiro fundo desse segmento foi lançado pelo ABN Amro, em novembro de 2001. No fim do ano passado, foi a vez de a Bolsa paulista lançar o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial). Três tópicos resumem as características da chamada responsabilidade social: preocupação com o ambiente, práticas sociais e governança corporativa. Instituições financeiras como o Itaú, o Bradesco, o HSBC, o Banco do Brasil e o ABN Amro já oferecem a seus clientes aplicações formadas por papéis de companhias comprometidas de alguma forma com quesitos sociais.

Faltam professores para educação de jovens e adultos

O País só conta com 14 universidades contendo cursos que formem professores para a educação de jovens e adultos. O resto é complementado por políticas públicas isoladas em alguns municípios para a capacitação desses profissionais. O Brasil tem 4.619.409 estudantes de EJA. São 301.995 professores na atividade, 37% deles formados no ensino médio

Políticas públicas isoladas em alguns municípios capacitam esses profissionais. O Ministério da Educação (MEC) começou só recentemente com programas tímidos. Este mês, a maior organização não-governamental (ONG) alfabetizadora do País, a Alfabetização Solidária, percebeu que era preciso investir em EJA e está formando professores em parcerias com universidades. 'É difícil melhorar a educação das crianças se seus pais e irmãos são analfabetos ou analfabetos funcionais' - afirmou em Brasília a superintendente executiva da Alfabetização Solidária, Regina Esteves.

7.4.06

Pesquisas mapeiam evolução da responsabilidade social

Dados preliminares de uma pesquisa recentemente divulgada pelo Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), em parceria com a instituição norte-americana Johns Hopkins Center for Civil Society Studies , apontam que as instituições sem fins lucrativos movimentaram, em 2002, uma receita equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em despesas operacionais. Esse valor supera a participação de setores da economia brasileira, como a indústria de extração mineral e a contribuição 22 estados brasileiros.

Para obter estas informações, foram cruzados os dados de 2002 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas, do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI) e de assistência médica sanitária.

O estudo abrange uma amostra ampla e engloba organizações não-governamentais, sindicatos, partidos políticos e instituições filantrópicas. Segundo a pesquisadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Neide Beres, a participação real dessas instituições na geração de riqueza para o País estaria em torno de 2,5% do PIB. “Nós procuramos dimensionar a participação do setor a partir da seleção de entidades que declaram não visar o lucro”, explica.

O último estudo realizado pelo Jonhs Hopkins apontava que o setor sem fins lucrativos havia movimentado, em 1995, o equivalente a 1,5% do PIB.

De acordo com Neide, a participação do governo no financiamento das instituições caiu de 14,5%, em 1995, para 5,5% em 2002. A nova pesquisa revelou ainda que o setor apresentou um crescimento de 71%, no período de 1995 a 2002, passando de 190 mil para 326 mil entidades. Da mesma forma, o número de trabalhadores duplicou, de 1,5 milhão em 1995 para 3 milhões em 2002, incluindo a participação de funcionários formais e informais. A pesquisadora ressalta que, desse total, cerca de 500 mil são membros voluntários. “Nós consideramos a colaboração integral e esporádica dos colaboradores; contudo, estima-se que esse número alcance uma população muito maior no Brasil”.

Números divergentes

De acordo com os dados levantados pelo estudo “As Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil (Fasfil)”, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Grupo de Instituições Fundações e Empresas (Gife) e a Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), no período entre 1996 e 2002 o terceiro setor cresceu 157%, com o aumento do número de entidades de 107 mil para 276 mil. A pesquisa considerou apenas as organizações sem fins lucrativos registradas Cadastro Central de Empresas do IBGE (Cempre), que empregaram, em 2002, 1,5 milhão de pessoas. Do levantamento, segundo o coordenador da Abong, Alexandre Ciconello, foram excluídas as organizações a serviço de interesses corporativos, como sindicatos, condomínios, partidos políticos e clubes. Desse universo, apenas 79 mil entidades estão ligadas à assistência social, à proteção do meio ambiente e à defesa de direitos.

“A nossa amostra também é muito ampla, pois inclui de associações filantrópicas a entidades privadas — como a Pontifícia Universidade Católica ( PUC) e o hospital Albert Einstein ”, completa Ciconello.

Pontes com os mais carentes

O Programa Ação Família - Viver em Comunidade, da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), começou nesta semana o atendimento às famílias dos distritos mais vulneráveis de São Paulo. Na terça-feira, foi inaugurado o Centro de Referência do Ação Família (Craf), na Cidade Tiradentes, e apresentados os agentes de proteção social locais. O evento ocorreu no CEU Inácio Monteiro, na Rua Barão de Amparo. A expectativa é que o mesmo serviço seja instalado, até o fim deste mês, no Jardim Ângela.

Sob gestão da Associação Grupo de Mães Novo Amanhecer, o Craf atenderá 2 mil famílias da região da Cidade Tiradentes. O programa Ação Família tem como meta acolher inicialmente 30 mil famílias, em 13 distritos diferentes de nove subprefeituras, que se encontram em situação de maior vulnerabilidade social. 'O objetivo é promover o fortalecimento e a emancipação de todos, por meio de ações integradas que serão articuladas por agentes de proteção social com a rede de serviços da Prefeitura', afirma o secretário Floriano Pesaro. Cada família ficará por um ano no programa.

Na zona leste, as atividades abrangerão os distritos de Lajeado, São Rafael e Iguatemi. Na zona sul, serão atendidas as populações do Jardim Ângela e Jardim São Luís, Parelheiros, Grajaú e Cidade Dutra. Na oeste, Rio Pequeno e Raposo Tavares serão beneficiados.

Os agentes de proteção social servirão como ponte entre as famílias mais pobres e as políticas sociais, estabelecendo um atendimento personalizado, por meio de visitas domiciliares que vão identificar as principais necessidades. Esses auxiliares participaram de um curso de capacitação promovido pela secretaria municipal, por meio do Espaço Público do Aprender Social, em parceria com a Associação de Apoio ao Programa Capacitação Solidária (a AAPCS) e a Fundação Instituto de Administração (FIA-SP).

A ONG Arte que Liberta procura empreendedores sociais

A ONG 'ARTE QUE LIBERTA' - entidade sem fins lucrativos, patrocinada pela PETROBRAS e dirigida pelo artista plástico Chico Maia e a artesã Maytê Lopes, trabalha em pról da ressocialização dos detentos do Presídio Lemos Brito, Salvador (BA).

Através de ateliês montados em oficinas na penitenciária, Chico Maia e Maytê ministram cursos e estruturam oficinas de produção, dando assim, a oportunidade a alguns presos, de desenvolverem seus talentos naturais e obterem recursos financeiros para sustento de suas famílias e o preparo de sua volta à sociedade, através da arte. Mais de 40 famílias de detentos estão sendo beneficiadas; tendo já participado cerca de 200 presidiários. Com a comercialização dos artesanatos produzidos, cada preso recebe um salário mensal equivalente a 75% do salário mínimo, sendo 25% encaminhado para um fundo, que ele pode sacar, quando obtiver a liberdade. Além disso, se beneficia da remissão de pena, conforme a Lei de Execuções Penais (LEP): a cada três dias trabalhados, o detento desconta um do tempo total de prisão.

O ProjAl - Projeto Arte que Liberta - conta com o apoio da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado da Bahia, patrocínio da Petrobras, empresa sempre vinculada a projetos de responsabilidade social e da comunidade em geral. A seriedade do projeto implantado por Chico Maia foi reconhecida com o prêmio 'ODM BRASIL' - OBJETIVOS PARA O DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO. O prêmio é uma iniciativa do Governo Federal, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade e visa estimular e reconhecer as entidades engajadas em ações sociais de promoção da cidadania, inclusão social, entre outras.

'O Projal se propõe a criar um novo modelo de cidadania participativa, estimulando o público passivo a se engajar em alguma causa digna, que possa contribuir para uma sociedade mais justa e sadia. Queremos evitar o conformismo que não valoriza situações de mudança, informando à população carcerária que alguma atitude está sendo tomada por atores sociais para modificar o quadro de relacionamento entre a sociedade e os sentenciados', explica Chico Maia.

'Estamos determinados a implantar o projeto modelo em outras comunidades; oferecendo know-how para propostas semelhantes, dando assessoria ou promovendo estudos, criando assim o lucro social, que permitirá mudanças no sistema penitenciário do país. Para isso buscamos parceiros e investimento social', explica Maia.

Franquia Social

O Projeto 'CRIANDO COM LIBERDADE - UM EGRESSO PARA A SOCIEDADE' será implantado em São Paulo. Inicialmente, prevê o envolvimento de 90 presos e a ampliação será conforme a demanda. A diretoria do ProjAl já está visitando penitenciárias no Estado de São Paulo com apoio e assessoria da FUNAP - Fundação de Amparo ao Preso, a fim de identificar o perfil inicial para implantação do Projeto. Para viabilizar esse projeto A ONG iniciou a sua busca anual de investidores sociais, empresas socialmente responsáveis para investir num projeto de alta credibilidade, gozar dos incentivos fiscais pertinentes, bem como proporcionar uma transformação notável nas vidas das pessoas que vivem às margens da sociedade, além de fortalecer sua credibilidade e visibilidade perante seus públicos corporativo e da comunidade em que está inserida.

'Tal exemplo de cidadania deve ser seguido por outras empresas com a maior contribuição social que possa oferecer à comunidade. O projeto se propõe a criar um novo modelo de cidadania participativa, estimulando o público passivo a se engajar em alguma causa digna, que possa contribuir para uma sociedade mais justa e sadia para modificar o relacionamento entre a sociedade, o empresariado e os sentenciados', explica Chico Maia.

Informações para 'franquia social': (11) 3045-6136

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Inscrições abertas para o Prêmio Empreendedor Social 2006

A Folha de S.Paulo e a Fundação Schwab, coirmã do Fórum Econômico Mundial, estão com inscrições abertas para o prêmio 'Empreendedor Social 2006'. O objetivo principal é identificar líderes de organizações que desenvolvam produtos ou serviços voltados à melhoria de comunidades carentes e marginalizadas.

Diferentemente dos concursos que destacam projetos no terceiro setor, o prêmio valoriza os indivíduos _as pessoas comuns capazes de mudar a vida daqueles que as cercam ao implementar idéias inovadoras e compartilhá-las. 'Não nos importa se a entidade é sem fins lucrativos ou se visa ao lucro. O importante é o que ela faz com o lucro que gera', exemplifica Pamela Hartigan, diretora-executiva da Fundação Schwab, que classifica o verdadeiro empreendedor social como 'uma mistura de empresário e santo'.

As inscrições podem ser feitas no site da Folha de S.Paulo até 31 de maio. Em 2005, 125 pessoas se inscreveram para concorrer ao prêmio no Brasil. Foi a segunda melhor média entre os 24 países onde o prêmio foi realizado, perdendo apenas para os Estados Unidos, com 400 candidatos. Neste ano, o prêmio está sendo realizado em 30 países.

Inovação, replicabilidade, sustentabilidade e impacto social mensurável são os principais critérios valorizados para a escolha dos empreendedores que serão selecionadas pela Folha de S.Paulo e pela Fundação Schwab.

Os melhores projetos serão visitados e avaliados por um júri composto por membros expressivos dos setores acadêmico, público e empresarial, que definirá o grande vencedor.

Os vencedores conquistam o direito de participar como convidados do Fórum Econômico Mundial e da reunião regional do seu continente _neste ano, a da América Latina será em São Paulo, de 5 a 6 de abril. Além disso, eles têm acesso à Cúpula de Empreendedores Sociais, que reúne, todos os anos, líderes de todo o mundo apoiados pela Fundação Schwab.

Não há apoio financeiro direto aos eleitos, mas a Fundação Schwab promove a troca de know-how entre empreendedores de destaque e viabiliza o contato deles com grandes patrocinadores internacionais.

O brasileiro premiado em dezembro do ano passado foi o médico infectologista Eugenio Scannavino Netto, criador, na Amazônia paraense, do projeto Saúde e Alegria, que mistura gestão comunitária, circo e combate à mortalidade infantil.

Reconhecida internacionalmente, a Fundação Schwab atua como uma espécie de certificadora, transferindo credibilidade às entidades que apóia. A organização, com sede em Genebra, Suíça, foi criada por Klaus Schwab e sua mulher, Hilde, em 1998.

As inscrições devem ser feitas apenas pela internet, no site:
www.folha.com.br/060681

Dúvidas e informações: folhasp@se2006.org

Debater o ECA é prioridade na escola

MARIA REHDER
maria.rehder@grupoestado.com.br

O direito de ser respeitado por seus educadores e o de contestar os critérios avaliativos de sua escola são garantidos ao aluno por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Entretanto, alguns especialistas em educação infanto-juvenil ressaltam que não basta a comunidade escolar ter conhecimento do estatuto, mas é preciso promover uma reflexão conjunta sobre seu conteúdo para obter na prática não só a garantia da promoção dos direitos, mas exigir das crianças e dos adolescentes o cumprimento de seus deveres.

Segundo o presidente da Fundação Abrinq, Rubens Naves, o estatuto é um documento amadurecido que destaca a proteção integral para as crianças e adolescentes. 'A dignidade tem de ser respeitada, mas se deve destacar que o ECA não defende a falta de disciplina', avalia.

O especialista afirma que a sociedade brasileira ainda faz uma invocação equivocada do ECA. 'A escola tem de se fazer respeitar, mas ainda falta uma compreensão dos direitos dos alunos pelos pais e até mesmo por seus professores', diz.

Um caminho apontado por Naves para que os pontos divergentes na interpretação do estatuto não gerem conflitos no dia-a-dia escolar é a inclusão da família em todo processo pedagógico. 'A escola precisa refletir o ECA de forma coletiva. Temos uma via de mão dupla: o aluno tem direito a um ensino de qualidade, mas também tem de cumprir suas obrigações', conclui.

Segundo Lucimar Melo, diretora do Centro de Educação Infantil Jardim Jorge Arpoador, a falha no entendimento do ECA traz dificuldades para os professores. 'Alguns alunos utilizam o estatuto como defesa para extrapolar seus limites, em algumas vezes chegam a abusar da violência', afirma.

Entretanto, Lucimar acredita que o problema não está limitado ao aluno. 'Os professores têm tantas tarefas burocráticas que às vezes falta tempo para refletir o ECA, discuti-lo com os pais', justifica.

Para Regina Neves, assistente de direção da EMEI Professor Camillo Ashcar, o conhecimento da realidade do aluno é peça-chave para a implementação do ECA. 'Visitar algumas famílias me ajudou no relacionamento com os alunos', lembra.

Já a oficial de projetos do Unicef, Ana Maria Azevedo, avalia que a cobrança de direitos por parte dos alunos é positiva. 'Só o fato de as crianças e dos adolescentes conhecerem o ECA já é um grande avanço.'

No entanto, Ana Maria sugere que o estatuto seja levado à sala de aula por meio da elaboração participativa de regras. 'A leitura do ECA e a definição clara dos direitos e deveres de todos feita com os alunos é um ótimo caminho', indica.

6.4.06

Guarulhos impulsiona Projeto de Contar Histórias

Contar, ouvir e até mesmo interpretar histórias fazem parte do dia-a-dia dos alunos do ensino fundamental das escolas municipais de Guarulhos, na Grande São Paulo. Promovido pela Secretaria de Educação, o Projeto de Contar Histórias é utilizado nas salas de aula com a finalidade de melhorar o aprendizado das crianças.

A adoção da técnica apresenta resultados bem satisfatórios. 'Percebemos uma mudança significativa nos alunos, que passaram a apresentar maior concentração nas aulas. Além disso, eles ficam desibinidos na hora de falar na frente das outras crianças, ganham desenvoltura e expressividade e tornam-se mais disciplinados, já que aprendem a ouvir, com atenção, o que é dito pelo professor. Sem falar na melhoria do processo de alfabetização infantil', afirma Luzia Diel Rupp, uma das coordenadoras do projeto.

A iniciativa consiste na capacitação de professores, coordenados por arte-educadores e consultores pedagógicos, sobre o uso das narrativas infantis e populares no ensino de disciplinas como matemática e português. Uma vez orientados, os professores incentivam as crianças a utilizar as técnicas (rodas de contar histórias, fantoches e confecção de bonecos) em sala de aula.

O Projeto de Contar Histórias foi criado em 2003. Desde então, mais de 600 professores já passaram pelas oficinas do programa, que são gratuitas e realizadas anualmente. A participação é voluntária. Ao todo, são sete cursos de capacitação, com duração média de três a quatro meses: Contos de Animais (histórias da fauna brasileira), Narrando Histórias para Pequenos (noções sobre o conto infantil), Narrativas Populares (origem das narrativas tradicionais), Memorial da Família (recuperação da trajetória de vida das crianças e de suas famílias), Radiografia dos Personagens Infantis (estudo de personagens nacionais e da narrativa indígena), A Arte de Inventar Histórias (sobre o folclore brasileiro) e Conhecendo nossos Bairros (histórico da cidade de Guarulhos).

SEMANA DE CONTAR HISTÓRIAS A Secretaria de Educação de Guarulhos promove até o dia 8/4 (sábado) a 4ª Semana de Contar Histórias. A iniciativa conta com a realização de palestras e oficinas relacionadas ao estudo da obra do escritor Monteiro Lobato.

Idec realiza seminário de responsabilidade social e divulga avaliação de camisetas

Na segunda-feira, 17 de abril, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) realizará o evento “Do algodão à camiseta: como as empresas e os consumidores podem exercer a sua responsabilidade social”. O seminário começará às 8h30, no hotel Comfort, em São Paulo.

O objetivo do evento é ampliar o debate sobre responsabilidade social empresarial (RSE) na cadeia algodão-têxtil-confecção, uma das mais problemáticas. O Idec irá apresentar o resultado de sua pesquisa: 'Avaliação do discurso sobre políticas e práticas de Responsabilidade Social Empresarial das empresas fabricantes ou comerciantes de camisetas de algodão'.

Participam do evento fabricantes e comerciantes de camisetas que integraram a pesquisa, além de representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Ministério do Trabalho e Emprego, ONG Repórter Brasil, Instituto Observatório Social, Instituto Ethos, Associação Brasileira de Indústria Têxtil e Confecção, Procons e outras organizações.

As vagas são limitadas e as inscrições são gratuitas. Para participar basta preencher a ficha de inscrição (disponível no site do Idec www.idec.org.br) e enviar para o e-mail cursos@idec.org.br ou pelo fax (11) 3862-9844 até quarta-feira (12/4).

Do algodão à camiseta: como as empresas e os consumidores podem
exercer a sua responsabilidade social
Data: 17 de abril de 2006, segunda-feira
Horário: das 8h30 às 18h
Local: Hotel Comfort Donwtown
Endereço: Rua Araújo, 141 – Centro – São Paulo

Responsabilidade no gasto social

Maria Helena Guimarães de Castro
Cientista social, professora da Unicamp e secretária de Ciência e Tecnologia do estado de São Paulo, foi secretária de Assistência e Desenvolvimento Social

Recentemente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados sobre a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio 2004. Entre outros aspectos, a pesquisa apontou que de cada seis moradias, pelo menos em uma delas um morador sobrevive graças à ajuda financeira de um programa social do governo. No Nordeste, uma em cada três famílias é beneficiada por um programa federal, estadual ou municipal. A partir dos resultados, cabe à sociedade avaliar se os programas são eficientes e atendem efetivamente os mais pobres.

Risco de aproveitamento eleitoral existirá sempre que as ações sociais repetirem os vícios da distribuição assistencialista das cestas básicas, submetidas à manipulação ou triagem político-partidária. O medo de perder benefícios facilita o voto de cabresto. Daí a importância de critérios técnicos e de justiça social amplamente conhecidos pela população. Políticas públicas são custeadas com recursos provenientes de impostos pagos pelos cidadãos. Impõem responsabilidade com o gasto social e reforçam a necessidade de aperfeiçoar os indicadores sociais. Eles constituem hoje instrumento fundamental para mensurar o padrão de vida da sociedade e contribuem para a tomada de decisões na gestão pública.

Avaliar, monitorar e divulgar os resultados das ações e projetos sociais deve ser um compromisso dos gestores, sob risco de desperdiçar dinheiro com ações que beneficiam pequenas parcelas da população. Nesse aspecto o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas desempenhou papel relevante na consolidação dessa nova cultura. Ele reflete de forma sintética um conjunto de indicadores — saúde, educação, renda — cujo impacto na qualidade de vida de um país supera a renda per capita, uma vez que pobreza é mais do que insuficiência de renda. A utilização do IDH se popularizou em nível internacional e no Brasil em todas as esferas. Os prefeitos paulistas, por exemplo, recorrem ao índice como argumento na negociação de recursos para programas e ações de seus municípios. Essa postura indica uma nova visão apoiada em critérios técnicos, em oposição ao clientelismo e à tradição oligárquica.

A avaliação também contribui para maior eficácia das políticas públicas, oferecendo instrumentos transparentes que permitam cobrar resultados. É o que tem orientado a Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, com base em inúmeras pesquisas. O Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da Unicamp aprovou o Cadastro Único, forma de repasse de recursos que permitiu a municipalização das ações, em antecipação ao Sistema Único da Assistência Social, o Suas. Uma organização não-governamental idônea, selecionada por pregão eletrônico, avaliou o programa de estímulo à conclusão do ensino básico, outro programa, o Ação Jovem. Diversas recomendações sugeridas já estão incorporadas ao programa que garante 100 mil bolsas aos jovens de famílias pobres em 644 municípios. Estão ainda em curso as avaliações das creches e das entidades sociais que recebem recursos da secretaria por meio de consultorias independentes.

Encontra-se em processo de licitação o acompanhamento de 2 mil famílias durante dois anos para avaliar que ações sociais mais contribuem para seu desenvolvimento, ou seja, a chamada porta de saída dos programas. E o Banco Interamericano de Desenvolvimento nos apóia na implantação de um sistema de monitoramento e avaliação dos projetos que pode se tornar modelo para a América Latina.

Técnicos da secretaria têm sido convidados a expor em outros estados a experiência paulista e participam ativamente das reuniões promovidas pelo Ministério do Desenvolvimento Social, pois o Estado dispõe de um cadastro único que reúne as informações e dados sociais de São Paulo. É o Cadastro Pro-Social, instrumento adotado pelo governo do Rio Grande do Sul, fruto da cooperação entre os dois estados.

Uma rede social integrada por 50 respeitadas fundações empresariais, organizações não-governamentais, o Conselho Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente e o Unicef articula ações numa parceria inédita entre todos os setores. Dispomos assim de condições para identificar, expandir, financiar e integrar as soluções mais eficientes de combate à pobreza. O desafio é envolver a opinião pública no debate que já mobiliza organismos internacionais, universidades e fundações socialmente responsáveis sobre a eficiência e sustentabilidade das políticas. Ele é mais amplo do que classificar essa ou aquela política como assistencialista. Ou reinventar e substituir programas a cada administração. Os cidadãos merecem prestação de contas sobre as ações sociais para apoiar o aperfeiçoamento das políticas cujo foco é reduzir as desigualdades. E não apenas ganhar votos.

O Brasil tem pressa - Projeto Pescar

ROSE MARIE LINCK/ Presidente da Fundação Projeto Pescar

A sociedade brasileira está encurralada, sofrendo as conseqüências de anos de descaso com os problemas sociais que desfilam, com todos os seus horrores, tanto na mídia quanto no dia-a-dia da população.

O diagnóstico aponta sempre para a mesma solução: a educação das nossas crianças e adolescentes; não somente a educação formal ou a formação profissional, mas a formação e a valorização do indivíduo através do reforço da afetividade, dos valores morais e éticos e principalmente, do resgate da esperança.

Há três décadas, um episódio de violência contra um idoso, perpetrado por dois adolescentes, em plena luz do dia, foi o ponto de partida para a idealização do Projeto Pescar, uma ação de responsabilidade social empresarial voltada para adolescentes de baixa renda. 'O objetivo do Projeto Pescar é oferecer uma solução para o Brasil de hoje, para o Brasil que tem pressa para resolver seus problemas sociais. Se toda a comunidade participar, resolveremos os problemas do país em pouco tempo', dizia seu criador, o empresário gaúcho Geraldo Tollens Linck.

Os benefícios deste investimento empresarial na educação geraram seus frutos: os jovens do Pescar, além dos ganhos imediatos - oportunidade de inclusão no mercado de trabalho, novos conhecimentos, noções de saúde e higiene, novos valores e habilidades profissionais -, a médio prazo irradiam esta nova postura dentro da família e na comunidade e, a longo prazo, modificam a própria comunidade. Hoje, são quase 10 mil os jovens formados nas 87 unidades Projeto Pescar, distribuídas em 10 Estados brasileiros: 75% deles estão empregados, muitos completaram ou estão cursando o terceiro grau e 5% já são donos da sua própria empresa. São poucos, dentro do universo dos excluídos sociais do país, mas imaginem quantas trajetórias de vida ao longo desses 30 anos foram e estão sendo modificadas por eles. E imaginem o número de gerações que ainda serão atingidas.

Iniciativas sérias e eficientes existem, muitos são os cidadãos de boa vontade, mas o Brasil tem pressa. Hoje, mais do que nunca. Se a sociedade como um todo não se mobilizar para investir pesadamente na educação, o Brasil será um país sem futuro.

Gife abre inscrições para congresso

O 4.º Congresso sobre Investimento Social Privado do Grupo de Instituto, Fundações e Empresas (Gife) será em Curitiba, entre os dias 24 a 27 de maio, e já tem nomes confirmados como Bernardo Toro, da Fundação Avina, e David Bornstein, autor do livro Como Mudar o Mundo. Com o tema 'Desafios para uma Sociedade Sustentável', o evento será realizado no Estação Embratel Convention Center. A programação completa e inscrição estão no site www.gife-cav2006.org.br , ou pelo telefone (11) 3849-2022, ramal 14.

3.4.06

Movimento Nacional de Direitos Humanos tem encontro

De quinta (6) a domingo (9), acontecem em Brasília o "Encontro Nacional e a Assembléia Geral do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)". As duas atividades terão como tema "Direitos Humanos, Democracia e Desenvolvimento". O MNDH reúne uma rede de mais de entidades filiadas em todo o país.
SAIBA MAIS: - email: encontronacional@mndh.org.br

Cultura popular e economia solidária ocupam Ibirapuera

Começam na quarta (5) e prosseguem até domingo (9) a "1ª Mostra Nacional de Cultura Popular" e a "1ª Feira de Economia Solidária", realizadas no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Participam artistas e produtores de todos os Estados brasileiros, expondo e comercializando obras e produtos.
LOCAL: Parque do Ibirapuera
SAIBA MAIS: - email: miguelste1@yahoo.com.br - site: www.fbes.org.br