Por Liliana Marilene Wespianski Cwikla
Introdução: Segundo Drucker (2001), “em todas as organizações do terceiro setor, o ’resultado final’ é medido em vidas transformadas”. De acordo com o autor as pessoas não estão mais interessadas em saber simplesmente se é uma boa causa. Se é uma organização responsável digna de meu investimento? Que diferença ela faz na sociedade? A organização filantrópica é responsável pelo melhor desempenho interno – pelo marketing eficaz, pela administração exemplar, pela contribuição em todas as áreas – mas sempre com o foco central em seu resultado final: vidas transformadas. Notadamente o Terceiro Setor tem ocupado um lugar de destaque, despontando como uma das atividades mais significativas, deixando de ter como principal característica à caridade, transformando-se numa área, como as demais que exigem planejamento, coordenação, direção e controle, além de uma visão estratégica voltada aos resultados. No Terceiro Setor os recursos privados, oriundos de pessoas físicas ou jurídicas, são investidos com objetivos públicos. Neste setor o lucro não é o objeto financeiro, seus ideais vão além, pois representam a razão de ser, de salvar, de mudar realidades. As organizações Não Governamentais (ONGs), Institutos, Fundações, têm se dedicado a projetos nas áreas ambiental, social e cultural, mudando os cenários das localidades, dos estados e dos países, com trabalhos de relevância e excelência, com reconhecimento em vários níveis, inclusive em âmbito internacional. Canton (2002:8) diz que o que “fica claro é que as ONGs, apesar de se declararem não lucrativas, não gerarem lucro, também são independentes e autogeridas, como as empresas e mercados. Assim sendo, o que parece não deixar dúvida é que no Terceiro Setor o poder ou o lucro não constitui razões suficientes para a ação e suas políticas não são compulsórias”. A própria autora argumenta que as atividades desenvolvidas no Terceiro Setor representam uma soma considerável de investimentos em recursos humanos e materiais, que na maioria das vezes ultrapassam a capacidade de pagamento dos mais interessados.
Desenvolvimento: A Revista Vencer (2001), em uma reportagem sobre Talento e Trabalho, refere-se ao Terceiro Setor de forma a diferenciá-lo das “antigas obras assistencialistas, que exigiam basicamente boa vontade e tempo livre de seus participantes, esse novo nicho pede criatividade, eficiência e profissionalismo”. As entidades são caracterizadas por áreas de atuação, estrutura, estilos de gestão, e resultados. Dentre as áreas de atuação situam-se as organizações ligadas ao Ambientalismo, Assistência e Serviços Sociais, Creches, Associações comunitárias, Produção e comercialização coletiva, Educação e Pesquisa, Associações de Bairros, Esporte, Saúde, Serviços médicos de Reabilitação, entre outras.Ë importante enfatizar que dados publicados pelo Grupo Catho (2004) destacam que o terceiro setor avança em termos globais, integrando a oitava economia do mundo, movimentando mais de US$ 1 trilhão por ano, cerca de 8% do PIB do planeta. No Brasil, ele representa R$ 10,9 bilhões anuais (cerca de 1% do PIB), sendo R$ 1 bilhão em doações. Reúne mais de 300 mil ONGs, além de fundações, institutos etc., emprega cerca de 1,2 milhão de pessoas e tem 20 milhões de voluntários. O Brasil é o quinto do mundo em número de voluntários.
Resultados da pesquisa: Ainda que os cenários apontem para uma mudança na forma de pensar e agir em relação à Gestão das Organizações Não Governamentais, por meio de pesquisa aplicada em dezesseis instituições pertencentes ao terceiro setor, em Foz do Iguaçu- Pr, percebeu-se que grande parte das organizações se vale do planejamento estratégico intuitivo – aquele que é informal, não documentado e baseado na experiência, conhecimentos e habilidades pessoais de determinado líder e ainda muito voltado ao assistencialismo ("dar o peixe ao invés de ensinar a pescar"). Ao que tudo indica esses fatores trazem imensas dificuldades em se ter acesso a verbas públicas e privadas, no que diz respeito à captação de recursos. A maioria das organizações tem dificuldade de manterem as suas obras, independente de se direcionarem a saúde, educação, meio ambiente, segurança, entre outros, indicando um sério problema em relação à gestão. Por outro lado, percebe-se que as organizações estão buscando qualificação, fazendo parcerias com empresas e universidades para o enriquecimento de seu quadro de profissionais e voluntariado, vislumbrando o entendimento e aquisição de competências, hoje essenciais para o bom desempenho do setor.
Considerações Finais: É possível afirmar que a atuação das organizações do terceiro setor é imprescindível ao setor público, porque este notadamente não tem dado conta de todas as demandas sociais que se multiplicam e se diversificam de acordo com a região do país. Para isso é preciso fortalecê-lo, qualificando-o constantemente para atuar com competência nas áreas que demandam seus esforços. Embora haja muito a ser feito, muitas universidades públicas e privadas têm efetivamente colocado em seus projetos de extensão a qualificação voltada ao terceiro setor. Isso é importante porque, de acordo com Teodósio (2002), "as soluções advindas das novas abordagens sobre Terceiro Setor estariam basicamente ligadas ao mundo da gestão, criando um caminho fácil e rápido para o alcance de metas sociais, equilíbrio financeiro, avaliação precisa de projetos sociais, perenidade organizacional e principalmente mobilização de voluntários, dentre -outras virtudes organizacionais". Espera-se que nas primeiras décadas deste século, o setor se qualifique ainda mais e conquiste a tranqüilidade de gerenciar seus projetos com orçamentos adequados às necessidades sociais.
REFERÊNCIAS:
CANTON, A. M. Eventos: ferramenta de sustentação para as organizações do terceiro setor. São Paulo: Roca, 2002.
DRUCKER, P.T. Terceiro setor: ferramenta de auto-avaliação para empresas. São Paulo: Futura, 2001.
TANNHAUSER, C.L. Organizações Não Governamentais (ONGs). Disponível em http: www.rets.com.br, acesso em 20/10/03.
TEODÓSIO, Armindo dos Santos de Sousa. Programas de incentivo ao voluntariado: novos desafios para ética gerencial". Disponível em http://www.rits.org.br/gestao, acesso em 20/09/03.
LINKS:
http://www.responsabilidadesocial.org.br
http://www.ethos.org.br
http://www.fundacaofia.com.br
http://www.mapa.org.br
http://www.filantropia.org
http: www.rets.com.br
http://www.rits.org.br/gestao