6.6.06

Responsabilidade social: ética, transparência e sustentabilidade

O tema Responsabilidade Social ou Sustentabilidade, num conceito mais amplo, vem cada vez mais ganhando força na comunidade empresarial brasileira. Independentemente do tamanho e área de atuação. Empresas e seus gestores discutem cada vez mais abertamente o tema e a importância das corporações nesse cenário.

A preocupação com os impactos sócio-ambientais é fundamental para a sustentabilidade das organizações e de gerações futuras. Na Europa e nos EUA, onde o tema já vem sendo discutido há mais tempo, milhares de empresas definem definem suas estratégias de negócio levando em consideração os aspectos sócio-ambientais e o impacto de suas atividades sobre diversos grupos de interesse, os chamados stakeholders.

O principal reflexo dessa preocupação se dá com a publicação dos chamados relatórios de Responsabilidade Social ou Balanços Sociais, que procuram resumir de forma organizada e ainda não padronizada totalmente, as ações, projetos, metas, desafios e impactos da atuação da empresa em relação aos grupos de interesse, sejam eles, colaboradores, comunidade, meio-ambiente, governo, concorrência, fornecedores, clientes, entre outros.

Estudo recente mostra que na Europa, grande parte das empresas publica algum tipo de relatório social, e que, daquelas que publicam, quase 70% validam as informações com auditorias externas específicas, para dar maior credibilidade ao mercado. No Brasil, mais de 700 empresas já publicam algum tipo de relatório, porém somente agora a preocupação com a validação das informações vem sendo tratada.

No Brasil, apesar de ainda não haver uma padronização única para elaboração dos relatórios sócio ambientais, alguns modelos de elaboração e apresentação, como os sugeridos pelo Instituto Ethos de Responsabilidade Social, Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), e os da Global Report Initiative (GRI), internacionalmente acatados, são adotados. Em breve, contaremos com uma padronização definida, a da ISO 26.000, que deverá ser aplicada entre 2007 e 2008 e está em desenvolvimento conjunto pela ISO, Instituto Ethos e pelo mundo empresarial.

Sem dúvida, esse caminho levará as empresas e a comunidade empresarial em geral, a atuarem cada vez mais preocupadas com responsabilidade sócio-ambiental. Os benefícios gerados com essa atuação são os mais variados possíveis, desde a continuidade dos negócios de forma mais organizada, até linhas de crédito mais baratas.

Entre outros benefícios também estão o tratamento diferenciado no mundo de mercado de capitais, com fundos específicos que trazem maior rentabilidade para as ações; também na área do capital humano, com os melhores funcionários do mercado almejando as empresas socialmente responsáveis como local de trabalho; e no campo do relacionamento com clientes, que escolhem a empresa para ser parceira ou fornecedora.

Nesse cenário, a auditoria/validação dos relatórios de responsabilidade social ganham destaque cada vez maior. Trata-se de um processo de verificação de todos os projetos, se estão sendo realmente colocados em prática, se tudo que a empresa se compromete a realizar, em termos de ações sociais, está sendo efetivado e se as propostas de relacionamento entre os universos externo e interno, dirigentes e colaboradores e a relação com a comunidade estão acontecendo.

Além disso, são verificadas se as metas planejadas e divulgadas estão sendo atingidas com o passar dos anos. É preciso comparar os modelos utilizados com as referências nacionais e internacionais, constatar se os projetos estão sendo cumpridos, acompanhar as relações trabalhistas, pesquisas e projetos de desenvolvimento científico e sócio-culturais, bem como analisar e validar os indicadores sócio-econômicos, ambientais, de impacto, entre outros.

Recentemente, por exemplo, a BDO Trevisan foi procurada por um fundo norte-americano interessado em investir no Brasil, mas apenas em empresa com real preocupação em ações sociais e ambientais, incluindo a elaboração de relatórios sócio-ambientais auditados, cuja elaboração viabiliza captar recursos financeiros com menor custo, no mercado nacional e internacional.

Daqui pra frente os negócios serão assim.

Mauro Ambrósio
Sócio-diretor da BDO Trevisan.
ambrosio@bdotrevisan.com.br

1 Comments:

Blogger Débora PoP´s said...

Excelente abordagem, muito clara e objetiva com os fatores sociais necessários para o desenvolvimento econômico e sustentável do país.

14:10  

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