Combate à fome eleva PIB em até 3%, diz Bird
Na Folha de S. Paulo hoje
A má nutrição, seja pela falta de nutrientes ou o excesso de peso causado por alimentação não-balanceada, deve ser atacada como um dos principais problemas dos países em desenvolvimento, o que permitiria a essas nações elevar em até 3% o crescimento da economia ao incluir um número maior de pessoas no sistema educacional e reduzir gastos em saúde. Essa foi a conclusão do mais novo estudo realizado pelo Bird (Banco Mundial), que compara a desnutrição à peste negra, devido aos alarmantes números de mortes que causa entre as crianças.
"A má nutrição está relacionada a mais da metade de todas as mortes de crianças pelo mundo, uma proporção que não é ultrapassada por nenhuma doença infecciosa desde a peste negra [epidemia que dizimou grande parte da população européia na Idade Média]", apontou Jean-Louis Sarbib, vice-presidente do Banco Mundial de Desenvolvimento Humano, em comunicado.
O Brasil não figura entre os casos mais graves examinados pelo estudo. A falta de dados comparativos para traçar uma tendência dos últimos anos também impediu que fosse visto um país que não dá atenção ao problema.
O estudo insiste em que nem países em desenvolvimento nem as nações mais ricas enfrentam o problema como deveriam, para evitar impacto econômico semelhante ao do HIV/Aids. "A escolha inequívoca agora é entre continuar a falhar, como a comunidade global fez com o HIV/Aids há mais de uma década, ou finalmente colocar a nutrição no centro do desenvolvimento, para que uma grande variedade de melhorias econômicas e sociais que dependem da nutrição possa se realizar", ressalta o estudo.
Sudeste asiático
Diferentemente do senso comum, o principal gargalo estaria localizado na região do sudeste asiático, cujas economias vêm mostrando forte crescimento nos últimos anos com participação mais ativa da China e da Índia e outros países no mercado global de tecnologia da informação e manufaturados simples. "Todos falam sobre quão bem a Índia está na indústria de TI, imagine quão melhor estaria se 65% das crianças mais ricas e 88% das mais pobres não fossem anêmicas."
Para atacar a questão, o Bird sugere que as nações mais pobres, na maioria das vezes com pesadas restrições orçamentárias, voltem seus recursos para o combate à má nutrição, pois, em contrapartida, veriam melhores resultados no desempenho da economia a médio prazo.
Entre os países citados como onde há mais necessidade de políticas de larga escala, estão Índia, Bangladesh, Afeganistão, Paquistão, Camboja, Indonésia, Laos, Filipinas, Vietnã, Guatemala, Honduras e o Haiti, onde o Brasil comanda a missão das Nações Unidas para estabilização.
Mães e filhos
Ao analisar dados fornecidos pelos governos nacionais e levantamentos das Nações Unidas, o Bird assinala alguns dos fatores principais para a má nutrição nos países mais pobres. De acordo com os especialistas responsáveis pelo estudo, as melhorias na qualidade de vida e os programas oferecidos pelo governo precisam centralizar esforços na gravidez e nos dois primeiros anos de vida do bebê, quando a falta de comida pode provocar danos irreversíveis à criança.
"Dessa maneira", descreve o estudo do banco, "as intervenções devem focar esta janela de oportunidade, qualquer investimento depois desse período crítico tem menor probabilidade de melhorar a nutrição."
A má nutrição, seja pela falta de nutrientes ou o excesso de peso causado por alimentação não-balanceada, deve ser atacada como um dos principais problemas dos países em desenvolvimento, o que permitiria a essas nações elevar em até 3% o crescimento da economia ao incluir um número maior de pessoas no sistema educacional e reduzir gastos em saúde. Essa foi a conclusão do mais novo estudo realizado pelo Bird (Banco Mundial), que compara a desnutrição à peste negra, devido aos alarmantes números de mortes que causa entre as crianças.
"A má nutrição está relacionada a mais da metade de todas as mortes de crianças pelo mundo, uma proporção que não é ultrapassada por nenhuma doença infecciosa desde a peste negra [epidemia que dizimou grande parte da população européia na Idade Média]", apontou Jean-Louis Sarbib, vice-presidente do Banco Mundial de Desenvolvimento Humano, em comunicado.
O Brasil não figura entre os casos mais graves examinados pelo estudo. A falta de dados comparativos para traçar uma tendência dos últimos anos também impediu que fosse visto um país que não dá atenção ao problema.
O estudo insiste em que nem países em desenvolvimento nem as nações mais ricas enfrentam o problema como deveriam, para evitar impacto econômico semelhante ao do HIV/Aids. "A escolha inequívoca agora é entre continuar a falhar, como a comunidade global fez com o HIV/Aids há mais de uma década, ou finalmente colocar a nutrição no centro do desenvolvimento, para que uma grande variedade de melhorias econômicas e sociais que dependem da nutrição possa se realizar", ressalta o estudo.
Sudeste asiático
Diferentemente do senso comum, o principal gargalo estaria localizado na região do sudeste asiático, cujas economias vêm mostrando forte crescimento nos últimos anos com participação mais ativa da China e da Índia e outros países no mercado global de tecnologia da informação e manufaturados simples. "Todos falam sobre quão bem a Índia está na indústria de TI, imagine quão melhor estaria se 65% das crianças mais ricas e 88% das mais pobres não fossem anêmicas."
Para atacar a questão, o Bird sugere que as nações mais pobres, na maioria das vezes com pesadas restrições orçamentárias, voltem seus recursos para o combate à má nutrição, pois, em contrapartida, veriam melhores resultados no desempenho da economia a médio prazo.
Entre os países citados como onde há mais necessidade de políticas de larga escala, estão Índia, Bangladesh, Afeganistão, Paquistão, Camboja, Indonésia, Laos, Filipinas, Vietnã, Guatemala, Honduras e o Haiti, onde o Brasil comanda a missão das Nações Unidas para estabilização.
Mães e filhos
Ao analisar dados fornecidos pelos governos nacionais e levantamentos das Nações Unidas, o Bird assinala alguns dos fatores principais para a má nutrição nos países mais pobres. De acordo com os especialistas responsáveis pelo estudo, as melhorias na qualidade de vida e os programas oferecidos pelo governo precisam centralizar esforços na gravidez e nos dois primeiros anos de vida do bebê, quando a falta de comida pode provocar danos irreversíveis à criança.
"Dessa maneira", descreve o estudo do banco, "as intervenções devem focar esta janela de oportunidade, qualquer investimento depois desse período crítico tem menor probabilidade de melhorar a nutrição."
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