22.2.06

Empresários se reúnem para tratar de responsabilidade social

Na semana passada, em São Paulo, 36 empresas (22 fornecedores e 14 clientes) da cadeia de negócios Belgo-Arcelor Brasil que participam do Programa de Sustentabilidade e Responsabilidade Empresarial (SRE), desde 2004, se reuniram durante1º Seminário de Fornecedores e Clientes Integrantes do SRE para apresentar os projetos que começaram a implementar e trocar experiências na área. Desenvolvido pelo Grupo Belgo-Arcelor Brasil com o apoio da Fundação Belgo-Arcelor Brasil, o SRE busca compartilhar práticas de sustentabilidade e responsabilidade empresarial com sua cadeia de negócios. Para isso, promove encontros trimestrais e ainda apóia, por meio de acompanhamento sistemático realizado por consultoria especializada, a implementação dessas práticas nas empresas participantes.
"Ainda não conhecia um programa nessa linha, estruturado dessa forma, com tanta exposição e troca de práticas", comenta Raquel Grassi, coordenadora do Núcleo Andrade Gutierrez de Responsabilidade e Sustentabilidade Corporativa da Fundação Dom Cabral, que participou do seminário. Segundo ela, o que chama a atenção no SRE é seu foco: "normalmente, o eixo desses programas está na perspectiva comercial e, nesse caso, está na sustentabilidade e na responsabilidade empresarial".
Conforme o professor e escritor Mário Sérgio Cortella, que ministrou a palestra "Ética, Indivíduo, Sociedade e Empresa", durante o evento, a ética faz parte de um acordo fundamentado em valores universais, formalizados na Declaração de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). Dentre eles, destaca a responsabilidade empresarial, uma vez que "indivíduo, sociedade e empresa estão interligados pela ética". Praticar a ética, em toda e qualquer situação, segundo ele, é uma questão de escolha.
Essas 36 empresas da cadeia de negócios Belgo-Arcelor Brasil que participam do Programa de Sustentabilidade e Responsabilidade Empresarial desde 2004 já fizeram sua escolha. Saíram na frente e estão implementando ações de responsabilidade empresarial. Em sua palestra, proferida durante o1º Seminário de Fornecedores e Clientes do Programa SRE, realizado em São Paulo, Cortella afirmava que "cada um de nós está sempre submetido ao dilema da ética" que define como "a capacidade de proteger a integridade", seja individual, de um grupo, uma empresa ou uma nação.
Na prática, exemplifica o que ocorreu alguns anos atrás com fábricas de calçados da região de Franca (SP). A Europa deixou de comprar seus produtos por essas empresas estarem usando trabalho infantil na produção dos calçados. Elas tiveram que se reestruturar e trabalhar sob a ética empresarial para retomar esse mercado.
O SRE começou a ser desenvolvido em 2004, com as 36 empresas que participaram do1º Seminário. Hoje, 222 empresas já aderiram ao programa e propuseram mais de 1.800 ações. Dentre essas, 430 já foram desenvolvidas ou estão em desenvolvimento. As ações desenvolvidas vão desde a elaboração e adoção de código de ética até a inclusão de cláusulas contratuais que proíbem o trabalho infantil, passando por melhorias no ambiente de trabalho. Abordam igualmente a elaboração de projetos de coleta seletiva de lixo e programas de incentivo ao voluntariado e à educação. Até mesmo a erradicação do analfabetismo nos quadros das empresas, dentre outros temas significativos, é alvo dessas ações.
O desenvolvimento do programa parte da premissa de que uma empresa, independentemente de seu porte, deve alcançar resultados positivos para todos os públicos com os quais se relaciona e não apenas atender ao acionista com um lucro financeiro imediato. Com o crescimento das exigências de mercado e o desenvolvimento da ISO 26000 que sistematizará as diretrizes da responsabilidade social empresarial e será publicada em 2008, as empresas precisarão se adequar.
O Grupo Belgo-Arcelor Brasil e seus fornecedores e clientes que compraram a idéia do SRE caminham na frente. "A Belgo está entre as primeiras empresas brasileiras a desenvolver um programa como esse com fornecedores e clientes", afirma o diretor executivo do Instituto Ethos, Paulo Itacarambi. Segundo ele, a importância do programa é tão grande que o Instituto Ethos está se inspirando no SRE para desenvolver um projeto similar, com grandes empresas de sete setores da economia. "Boa parte do programa que estruturamos está inspirado na iniciativa da Belgo e na experiência acumulada pela empresa nesses dois anos de desenvolvimento do SRE", diz.