16.2.06

Administração no terceiro setor pode ser mais complexa do que nas empresas

Sob o ponto de vista administrativo e financeiro, as organizações do terceiro setor – mesmo aquelas já profissionalizadas – enfrentam alguns desafios que aumentam a complexidade de sua gestão e trazem impactos diretos em seus processos e desempenhos. Entre eles, estão a definição de objetivos ou a amplitude dos mesmos, do que dependem o estabelecimento de metas mais claras, o monitoramento de seu desempenho e a utilização de indicadores efetivamente adequados.

Além disso, essas instituições normalmente têm que conviver com diversos tipos de apoiadores – financiadores, voluntários, usuários, equipes remuneradas, etc. –, cada um com sua própria expectativa em relação ao trabalho, o que é bem diferente de uma empresa tradicional, cujo resultado financeiro normalmente é um indicador bastante representativo do sucesso de sua estratégia.

No segundo setor, a relação entre financiadores das organizações (acionistas) e usuários dos serviços (clientes) costuma ser direta e sem rodeios, pois se traduz na remuneração do acionista e no atendimento da necessidade do cliente. “No terceiro setor, essa relação é muito mais tênue, pois os principais beneficiários das ações geralmente não têm um vínculo direto com os financiadores, que por sua vez não recebem dividendos por isso.”

Por outro lado, uma vez que os indicadores financeiros não são os que melhor expressam o impacto gerado pelo trabalho dessas organizações junto à comunidade, surge a necessidade de pensar em estruturas administrativas mais complexas que no setor privado, que possam aferir e monitorar os resultados, de forma manter o equilíbrio interno das equipes e, ao mesmo tempo, prestar contas de suas ações aos vários envolvidos.